Fui ao Hotel WTC ver o debate do Estadão sobre responsabilidade e conteúdo digital.
Ao chegar, vi que nem todo mundo foi. A platéia era formada de metade dos presentes inscritos. Essa metade se repartia entre blogueiros e jornalistas do Estadão, presumo. Pena. Mas o hotel escolhido também não favorece o deslocamento fácil. Até o João Livi, da Talent, chegou atrasado.
Um consenso entre todos foi: a blogosfera tem lixo, sim. Mas separar o joio do trigo começa por todas as pontas. Pela propaganda, inclusive.
Livi retratou-se assumindo que “a campanha tem arestas que precisam ser aparadas, mas o conceito está claro”. Foi a primeira declaração pública de que o formato da campanha não funcionou por completo. Ri da sua declaração de que “precisamos ter mais debates como esse” por conta da colocação fora de hora, mas ele tem razão.
A pariticipação do Edney foi muito importante. Ele tem um background de acompanhamento da blogosfera que agregou muito ao debate, e conseguiu se manter firme perante as declarações mais quentes. Pena que não pode falar muito quando queria. Mas ele extravazou depois. E a piada com o Livi foi sensacional.
Merigo foi pro muro de fuzilamento logo na apresentação. Ele se posicionou bem, apesar de não ter muita dinâmica para debates desse tipo. Foi importante ele estar lá por conta da relevância do blog publicitário que ele tem. 5 anos de Brainstorm #9 são muita coisa. E Bruna falou pouco. Sua participação se resumiu a se apresentar e opinar sobre a campanha e leitores criteriosos. Ela ganhou pontos por ser uma blogueira jovem entre os macacos velhos (ops!) do jornalismo presentes na mesa. Mas faltou se impor, mesmo que isso não seja culpa dela.
Pedro Doria ressaltou a falta de impacto da blogosfera brasileira e como nós somos diferentes dos americanos. É verdade. Mas ele não calcula isso em proporções nem toma a aculturação formada pela mídia de que blog é diário de adolescente, como o Edney bem lembrou. Ainda foi provocado pelo Paulo Lima (mediador do debate) e assumiu que “jornalista, às vezes, se acha muito, mas faz parte se você quer trabalhar com comunicação”. E Marcello Sales Gomes colocou um ponto importante: a lição que a publicidade aprendeu ao provar da força da blogosfera.
Gilson Schwartz mostrou-se com uma carranca conservadora que me assustou bastante. Entendo seus posicionamentos e a blogosfera tem que ser criticada mesmo, mas ele não leva em conta que o conceito de relevância está saindo do âmbito público para o pessoal. Acho que não é a opinião de todo mundo da USP.
A cobertura do Estadão se resumiu a uma nota no site. Eles prometeram uma cobertura na edição impressa do dia seguinte, mas não vi o jornal ainda pra dizer algo. O Rodrigo Barba gravou a transmissão do debate e colocou no YouTube.
Lendo o post do Edney, percebi que ele teve a sacada que eu também tive no caminho para casa: se um debate desses aconteceu por conta do post do Merigo e da repercussão na blogosfera, então passamos a ter relevância para alguém. Pode ser um começo de novo olhar das pessoas para os blogs.
Utópico, eu sei. Mas marquem esta data, por via das dúvidas.
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