Foto: Flickr do /gutooo

Ontem a cidade de São Paulo comemorou 454 anos de existência oficial perante o país. Eu nasci aqui e não paro de me admirar como essa cidade é grande. Acredite, é sério. Mesmo com tanto tempo por aqui ainda não conheço todas as opções de lazer que Sampa oferece.

Ontem eu e minha namorada fomos atrás de uma dessas opções desconhecidas: o Mercado Municipal. Eu já o conhecia, mas eu ainda não tinha voltado lá depois da reforma pela qual passou em 2004. Agora o lugar é um point. As iguarias são conhecidíssimas e no andar superior tem bares chiques e descolados. Até balada já teve lá dentro.

Na sexta pegamos o ótimo Expresso Tiradentes (vulgo Fura-fila) e fomos ao mercadão. Eu queria ver o show do Quinteto em Branco e Preto… mas no fundo era uma desculpa pra provar da iguaria mais comentada daquele lugar: o pastel de bacalhau. Não sosseguei enquanto não paguei R$ 7,50 num pastelão daqueles, recheadaço…

Pô, R$ 7, 50! Pastelzinho caro, né?

Eu e o pastel de bacalhau

Depois da melancia de sobremesa e da dor de barriga, até me senti culpado… cara, é um pastel muito caro. E o fato de ter desprendido algumas horas do dia e passagem de ônibus para ir lá e comê-lo o torna mais caro ainda. Até do lado, em bares próximos, o mesmo pastel é bem mais barato. Será que é justo? Pagar tanto por uma coisa que tem uma média de preço bem abaixo do que você pagou.

Mas outra reflexão me fez perceber: pagar caro tem todo um retrospecto envolvido. Conte comigo:

  • Querer sair de casa num feriado
  • Querer participar da comemoração do aniversário da cidade de alguma forma
  • Conhecer um lugar novo
  • Provar do pastel, a iguaria tão falada

Isso nem são fatores juntos num pacote só. Cada um vem de uma fonte diferente. Mas no final, tudo me levou ao mercadão ontem. É o que a maioria desses bares caros faz para atrair clientes diferenciados, né? Fogem da idéia de atraí-lo só com o cardápio e criam outros fatores para trazê-lo: um ambiente diferente, promoções, decoração, o passeio até chegar no lugar… No fundo, você não pagaria por isso se estivesse tudo relacionado em uma conta no fim do seu passeio. Na verdade você paga ‘disfarçadamente’, nem percebe todo o ciclo que faz com que uma coisa chegue até você.

E tem o fator ‘iguaria’ envolvido também, a coisa de provar algo único e caro. Em uma recente pesquisa, 20 pessoas provaram vinho achando que eram garrafas caras, de renome, mas na verdade eram vinhos comuns e baratinhos. Por estarem convencidas de que tomavam vinho caro, o cérebro ‘disfarçou’ as sensações como se fossem do tal.

Eu acredito nessa pesquisa, e acho também que o fator ‘diferente’ influencia bastante. Provar de uma iguaria que nem todo mundo prova todo dia é uma sensação de prazer que até o mais indiferente não ignora. Por isso creio que o pastel até que estava por um preço justo. Dado tudo que eu queria fazer no mesmo dia por causa do pastel, até que valeu a grana.

Confuso, né? Não quero tecer teorias de marketing não. É feriado, tem coisa melhor pra fazer. Mas vale o pensamento. Errado não é pagar caro. É pagar caro sem estilo. É pagar caro sem usufruir de desejos agregados à sua meta principal. Vai comer um pastel de bacalhau que custou R$ 7,50? Beleza, vá em frente, mas faça isso num momento bacana de sua vida, num lugar bacana, e num momento de prazer, de comemoração. No aniversário da sua cidade, por exemplo.

I love this town.

PS: falando em passeios, vocês já visitaram a Bovespa? Ficou muito bacana depois da reforma também, e o passeio que conta a história da instituição é divertido.