Um belo dia peguei emprestado de um amigo o DVD de Magnolia. Não a edição tosca brasileira, mas sim a americana, num estojo lindo, duplo, com extras diversos e bons. Acho que foi nesse dia que reconheci o DVD como produto a se guardar. Até o momento, eu só fazia cópias do que eu gostava na locadora.
Um belo dia, comecei a aproveitar as promoções de Lojas Americanas e cia e comecei a comprar os DVDs dos filmes que sempre gostei. 5, 10, 15 DVDs na estante. Quando eu vi, já eram mais de 150. E foi através de um amigo que percebi que o que fazia era colecionar DVDs.

Mas eu acho que seria melhor chamar de colecionar cinema. Ou colecionar arte. Agora minha estante está cheia de arte. Muito a contragosto da minha família. Mas eu procuro não gastar horrores com isso. Com a busca pela promoção certa e sabendo esperar as reduções de preço, dá pra comprar muita coisa bacana por precinhos camaradas. Por isso mesmo quero relatar minha experiência como colecionador, que está tendo altos e baixos.
O DVD é só uma casca para aquilo que realmente importa para mim, o conteúdo. Principalmente bons documentários nos extras (sou fissurado por isso). Sempre preferi os DVDs duplos, que costumam ser recheados disso. Com o tempo, comecei a dar valor também para as embalagens dos discos e procurar as edições bacanas, especiais. E tomei contato com uma comunidade de colecionadores extremamente ativa, que se organiza para observar os lançamentos e até organizar boicotes contra distribuidoras que oferecem produtos ruins, como foi o caso #nãocomprewarnerbr neste ano. Também descobri que existem edições raríssimas, vendidas a mais de R$ 200 no Mercado Livre. É um mercado, como todos os outros colecionáveis, de gente honesta e gente oportunista. Pro bem e pro mal.
Infelizmente descobri uma outra coisa colecionando DVDs. Comecei a colecionar tardiamente, quando o mercado está numa recessão brava e a pirataria reduziu a percepção de valor de um DVD para o preço de uma cópia pirata da banquinha de rua.
Para a minha surpresa, não existem boas edições de DVDs no Brasil desde 2005. Boas, como eram antes, não mesmo. A forma já não é mais a mesma: caixas fracas, finas, e sem aspecto seguro para os discos. E até o conteúdo é limado. Extras? Esqueça. Se contente com o filme e olhe lá. E isso se o filme vier com bom áudio e formato de tela. Foi-se a época de um Box de Matrix com 10 discos, ou de uma edição limitada e numerada de Casablanca.
E então entendi que estamos numa época onde as distribuidoras estão claramente investindo mais em número do que em qualidade. E isso não vai mudar. Quem ataca em varejo não muda estratégia. Pelo contrário. Dobra o tamanho do ataque quando tem oportunidade. Aquele papo de ouvir os consumidores não funciona para as produtoras. E sabem o porquê? Uma boa vendagem de DVDs no Brasil, hoje, segundo quem trabalhou no meio, é dizer que uma tiragem de 2 mil exemplares venderam por completo. 2 mil! Num país com mais de 180 milhões de pessoas e DVD player a 150 reais. Mesmo com a pirataria, é um número baixíssimo. Que é considerado pico de venda.
Vocês acham que quem vende 2 mil num mercado de 180 milhões de consumidores não vai querer vender sempre mais? Não que isso seja errado, é mais do que válido num mercado capitalista. Mas a percepção de produto, o mais importante, se perdeu e nada foi feito para combater isso. E o que foi feito vai totalmente na contramão, com o produto final, hoje, comparando-se com o produto pirata. Tanto em forma quanto em conteúdo.
Por isso não dá mais pra confiar nem nas distribuidoras. E algumas vezes, nem nas lojas. Um exemplo prático: fiz duas compras no mês passado. Uma internacional, na Second Spin, e uma nacional, no Submarino. Os DVDs comprados na Second Spin vieram em embalagens perfeitas, em ótimo estado. Já um dos DVDs do Submarino veio com uma pequena parte da caixa quebrada. Detalhe que faz toda a diferença: a Second Spin é uma loja de DVDs usados. O Submarino vende DVDs novos.
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| comprado na Second Spin – From compras |
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| comprado no Submarino – From compras |
Moral da história: DVD usado americano é melhor que DVD novo brasileiro.
Por isso desisti de reclamar de embalagens e formatos. Espero chegar, vejo, e avalio se vale comprar aqui do jeito que veio ou compro importado. Esperar que as produtoras brasileiras melhores esses fatores é uma utopia sem tamanho. Mas não vou desistir de colecionar DVD. Ainda tem muita coisa boa no mercado que sobrou de anos anteriores. Como disse, coleciono cinema. E ainda tem muita coisa legal pra ver em casa, em widescreen, som digital 5.1 e extras. Vou aproveitar enquanto eles não oferecem DVD em sacos plásticos. Opa, peraí. Já oferecem…
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Ah, o Blu-ray está chegando, mas a estratégia aqui, por enquanto, é direcionar as vendas para a classe A, que pode pagar 120 pilas num disco azul. Se eles não se cuidarem, será mais uma percepção de valor que vai pro saco, já que lá fora os lançamentos em Blu-Ray já são mais baratos que em DVD.

