Porque todo dia a gente aprende uma coisa nova
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Bom, agora uma pequena aula de medicina. Tem uns meses que meu estômago me atrapalha um bocado. Fui o mais novo contemplado com uma esofagite.
O que raios é isso? Uma inflamação do esôfago causada por refluxo. Na prática, é uma lesão no esôfago que o deixa sensível a qualquer refluxo do estômago. Com isso, alguns alimentos correm o risco de não serem bem digeridos e voltam para o esôfago, causando sensação de azia e amargo.
O quadro abaixo mostra melhor do que estou falando.

Fonte: Gastrosite
Tá vendo no detalhe? É ali que tenho a inflamação, por onde passa a comida para o estômago. Ela está em nível leve no momento, mas pode piorar.
Isso me incomoda bastante, porque tive que moderar (e em alguns casos largar) alguns hábitos alimentares. Cerveja, por exemplo, não bebo mais. Sim, é verdade. E bebidas fermentadas em geral (refrigerantes, vinho, etc) não estão mais no meu cardápio. Chocolates, molhos concentrados e frituras também estão fora do prato.
Não que tudo esteja proibido. Bem de vez em quando eu volto a provar algo disso, mas tem que ser com muita moderação. Porque qualquer volta do refluxo será pra valer, e se a inflamação aumentar, o caso só acaba com cirurgia.
Essa é uma doença com a qual terei que conviver, não tem jeito. Mas não acho isso injusto. Realmente eu tive uma vida boêmia pra caramba em tempos de faculdade. Não é a toa que um dia eu ia pagar o preço disso. Graças a Deus não é uma gastrite, bem pior.
Por isso, molecada que tá começando a vida em bares e leitores que esperam tomar todas neste carnaval, cuidem-se: vida saudável é pra se ter desde cedo, e não chegando nos 30, como eu.
Falando em carnaval, amanhã prometo um post mais alegre sobre isso.
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Ontem a cidade de São Paulo comemorou 454 anos de existência oficial perante o país. Eu nasci aqui e não paro de me admirar como essa cidade é grande. Acredite, é sério. Mesmo com tanto tempo por aqui ainda não conheço todas as opções de lazer que Sampa oferece.
Ontem eu e minha namorada fomos atrás de uma dessas opções desconhecidas: o Mercado Municipal. Eu já o conhecia, mas eu ainda não tinha voltado lá depois da reforma pela qual passou em 2004. Agora o lugar é um point. As iguarias são conhecidíssimas e no andar superior tem bares chiques e descolados. Até balada já teve lá dentro.
Na sexta pegamos o ótimo Expresso Tiradentes (vulgo Fura-fila) e fomos ao mercadão. Eu queria ver o show do Quinteto em Branco e Preto… mas no fundo era uma desculpa pra provar da iguaria mais comentada daquele lugar: o pastel de bacalhau. Não sosseguei enquanto não paguei R$ 7,50 num pastelão daqueles, recheadaço…
Pô, R$ 7, 50! Pastelzinho caro, né?

Depois da melancia de sobremesa e da dor de barriga, até me senti culpado… cara, é um pastel muito caro. E o fato de ter desprendido algumas horas do dia e passagem de ônibus para ir lá e comê-lo o torna mais caro ainda. Até do lado, em bares próximos, o mesmo pastel é bem mais barato. Será que é justo? Pagar tanto por uma coisa que tem uma média de preço bem abaixo do que você pagou.
Mas outra reflexão me fez perceber: pagar caro tem todo um retrospecto envolvido. Conte comigo:
Isso nem são fatores juntos num pacote só. Cada um vem de uma fonte diferente. Mas no final, tudo me levou ao mercadão ontem. É o que a maioria desses bares caros faz para atrair clientes diferenciados, né? Fogem da idéia de atraí-lo só com o cardápio e criam outros fatores para trazê-lo: um ambiente diferente, promoções, decoração, o passeio até chegar no lugar… No fundo, você não pagaria por isso se estivesse tudo relacionado em uma conta no fim do seu passeio. Na verdade você paga ‘disfarçadamente’, nem percebe todo o ciclo que faz com que uma coisa chegue até você.
E tem o fator ‘iguaria’ envolvido também, a coisa de provar algo único e caro. Em uma recente pesquisa, 20 pessoas provaram vinho achando que eram garrafas caras, de renome, mas na verdade eram vinhos comuns e baratinhos. Por estarem convencidas de que tomavam vinho caro, o cérebro ‘disfarçou’ as sensações como se fossem do tal.
Eu acredito nessa pesquisa, e acho também que o fator ‘diferente’ influencia bastante. Provar de uma iguaria que nem todo mundo prova todo dia é uma sensação de prazer que até o mais indiferente não ignora. Por isso creio que o pastel até que estava por um preço justo. Dado tudo que eu queria fazer no mesmo dia por causa do pastel, até que valeu a grana.
Confuso, né? Não quero tecer teorias de marketing não. É feriado, tem coisa melhor pra fazer. Mas vale o pensamento. Errado não é pagar caro. É pagar caro sem estilo. É pagar caro sem usufruir de desejos agregados à sua meta principal. Vai comer um pastel de bacalhau que custou R$ 7,50? Beleza, vá em frente, mas faça isso num momento bacana de sua vida, num lugar bacana, e num momento de prazer, de comemoração. No aniversário da sua cidade, por exemplo.
I love this town.
PS: falando em passeios, vocês já visitaram a Bovespa? Ficou muito bacana depois da reforma também, e o passeio que conta a história da instituição é divertido.

Foto: Flávio Aguiar
Hoje de manhã teve uma pane nos trens do metrô da linha norte-sul em São Paulo. Demorei uns 40 minutos para pegar um trem da estação Tucuruvi até a estação Paraíso. As plataformas estavam lotadas de gente, estressadas até a última gota de suor.
E nessas horas você vê como o ser humano tem uma capacidade incrível de ser mal-educado.
Presenciei a seguinte cena: uma mulher para na plataforma, com seu fone de ouvido no talo. Quer dizer, devia estar no talo, porque uma senhora parou pra pedir alguma informação pra essa moça e ela… nem ouviu, mesmo sendo cutucada. Parecia estar em outro planeta. Foi então que a senhora tratou de buscar a moça de volta pra Terra, dando um puxão violento na bolsa dela. Segue o diálogo:
- A senhora não tem educação, não?
- E você sabe pelo menos onde está agora?
Ficou uma disputa de stress que eu não sei quem ganhou, pois eu acompanhava tudo da janela e meu trem já ia partir.
Fui refletindo no caminho porque essas coisas acontecem. Não pode ser só má educação, sabe? Imagino que seja também a ascenção da classe média e baixa. É vero! Lembra do fone de ouvido da moça? Era um daqueles brancos que vem no iPod ou outro MP3 player qualquer. Se a moça não tivesse tão concentrada em seu som, talvez tivesse ouvido a senhora.
Hoje todo mundo tem um MP3 player ou um celular multimídia. Aí tem dois cenários possíveis: ou a pessoa se fecha no fone de ouvido bem acima dos 80 decibéis recomendados para a saúde auditiva, ou abusa da paciência dos companheiros de coletivo e escuta suas músicas sem fone mesmo, como os antigos radinhos de pilha.
O problema é que existe uma lei que proíbe o uso de aparelhos sonoros nos coletivos. A lei em si é dúbia quanto ao entendimento, mas o bom senso comum é que você não pode ouvir música em ônibus e trem sem fone de ouvido, certo? Não é bem o que acontece na maioria das lotações.
Outro dia vi que duas meninas ligaram seus celulares como se fossem radinhos de mão e começaram a ouvir alguns funks novos que baixaram da internet. De ‘dança do créu’ pra baixo. Sem-noção total. E ninguém reclamou! Eu ia falar com a menina, mas a lotação estava cheia e não dava pra chegar até ela.
Essa história dos celulares e MP3 é a que dá mais pano pra manga. Já é fato que com o cenário econômico dos últimos anos as classes C, D e E tiveram um crescimento no seu poder de consumo. Isso considerando os centros urbanos, mais suscetíveis ao alcance da propaganda massificada. E isso dá margem para que os sem-noção usem seus celulares como se estivessem no quarto de casa, como se todo mundo gostasse da mesma música.
Na verdade, é um exercício de descidadania. Ninguém é obrigado a escutar sua música. E se você estiver com dor de cabeça, isso só vai potencializar a dor.
O correto nestas situações é nem se estressar com as pessoas: anote os dados: placa, linha e número do veículo e reclame com a empresa responsável. Dá certo. Já ouvi da boca de cobradores (pelo menos aqui em São Paulo) que a reclamação chega neles e os fiscais passam a pegar mais no pé.
E nos casos das pessoas com fone de ouvido em decibéis altíssimos, o melhor é deixar quieto e discutir a questão em casa, com a família, para que evitem esta cena. Mas eu não discordo totalmente da senhora indignada do metrô. Algumas pessoas só entendem as coisas na base do solavanco mesmo. Infelizmente.
Daqui a pouco Steve Jobs, CEO da Apple, vai fazer seu keynote de praxa na MacWorld 2008. De cara, podemos esperar novidades com a marca da maçã prateada mais querida do mundo. O interessante é a ansidade da mídia especializada para o discurso. E também dos geeks, fãs da Apple.
Não é pra menos. Jobs deve ser o Henry Ford moderno. Aquele que fala algo e todo mundo segue, quer fazer igual, quer participar do que ele participa, quer ser amigo de infância, de viagem. Uma das cabeças mais inovadoras justamente porque se preocupa com a facilitação da tecnologia para o usuário. Vide o iPhone, por exemplo: os geeks não gostam muito do aparelho, dizem que há outros similares no mercado com funções melhores (e é verdade). Mas não dá pra negar que o iPhone é o smartphone mais amigável do mundo. A usabilidade, os menus, as funções sem encrenca… é uma outra experiência. E de experiências Jobs entende. E por isso a Apple é amada: seus produtos são fáceis e lindos. Simples assim.
Por isso qualquer anúncio de Jobs é esperado com siricoticos pela comunidade tech. Ele mexe com as pessoas, ditando caminhos e tendências. Um exemplo básico? Quando todos falavam de uma linguagem comum para acesso de páginas web em smartphones, o iPhone vem e dita que deve existir um formato padrão para o aparelho. E a compatibilidade vai pro saco… mas os donos de iPhone estão felizes da vida.
E você, também está ansioso pelo discurso do Tio Jobs? O blog Engadget vai fazer a cobertura ao vivo.
[UPDATE] E Jobs conseguiu de novo. Mais um gadget para ser falado durante o ano inteiro. O MacBook Air, o note mais fino do mundo.
De repente, todos os notebooks do mundo estão tão… desatualizados.

Ontem, depois do almoço, a única coisa que me segurou antes da siesta foi um programinha mala na TV, o “Caçadores de Aventuras” (Rede TV!). Não pelos apresentadores, mas por uma das reportagens, que passou por Sabará, interior de MG na região metropolitana de Belo Horizonte - MG (tks, @raquelcamargo), e me apresentou à TV Muro: a menor emissora de TV do mundo.
A TV Muro foi montada em 1997. Na época, Francisco dos Santos, ou simplesmente Chiquinho, tinha uma câmera VHS, um videocassete, uma TV preto e branco e um link que encontrou sucateado no lixão próximo de sua casa. Aí ele gravava seu programa e mostrava para os vizinhos, na Rua São Francisco, em um aparelho de TV colocado em cima do muro de sua casa (esse da foto).
Para a maioria dos internautas a TV Muro não é muita novidade, mas pra mim foi uma coisa fantástica. Conhecer a emissora em casa de Chiquinho foi entender que a gente tem muuuuito a caminhar até a TV digital e interativa por completo. O cara gera toda a programação dentro de casa: telejornal, programas infantis, variedades e até uma versão do Big Brother! Para cobrir matérias fora da casa, usa uma “bicicleta link” que transmite ao vivo!
Chiquinho é o típico caso de ‘quem quer, vai à luta’. No meio de tanta gente produzindo conteúdo, ele é o produtor do meio que transmite. Sozinho, ele, a mulher e as duas filhas cuidam da programação inteira. E também já chamou a atenção do povo de fora: a rede SESC/Senac retransmite conteúdo pela TV Muro.
Aliás, Chiquinho precisa de um computador, a única coisa que falta no seu ‘estúdio’ para fazer uma programação bacana. Interessados em doar uma máquina podem visitar o site do programa Caçadores de Aventuras.
Não consigo pesquisar vídeos da TV Muro no YouTube aqui, mas quem achar algo me mande o link, por favor.
Eu sou Anderson Costa, jornalista, profissional de internet e blogueiro. Gosto de ir além das 'letras'. Exploro interatividade, tendências, novas ferramentas e linguagens do marketing multimídia.
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