Também escrevo para o blog do Banco Real. Dá uma conferida no último post.



Meu blog novo (de novo)

10 Jan 2008 Sobre blogs

Sim, mudei. Queria mais identidade, um nome, um lenço, um documento pra caminhar contra o vento. Agora tento entender o mundo. Vamos ver se eu chego perto, porque conseguir é uma utopia, vamo concordar.

Uma das minhas premissas pra 2008 é sofrer menos e gozar mais. E uma coisa que me deixa feliz é blogar (calma, as outras coisas estão em dia). Por isso decidi começar o ano (com o pé) direito: um nome, uma identidade, um template que finalmente eu gostei de verdade. Agora falta o conteúdo. Vamo que vamo.

O labs ainda fica no ar, mas só pra efeito de histórico.



Foto: bethyb, by Flickr

Se eu me arrisco a prever uma tendência de 2008? Sim, e ela se chama gratuidade.

Hoje já temos uma boa gama de serviços grátis na internet, e muitos deles transcederam barreiras antes não imagináveis, como os softwares online. Estamos aprendendo a conviver com modelos econômicos diferentes, baseados na doação, na troca e na reputação de marcas e mercadorias. Isso vai bombar ainda mais em 2008 e virar tema de discussão forte com o lançamento do próximo livro de Chris Anderson, Free.

Chris Anderson é editor da revista americana Wired, e autor do bestseller A Cauda Longa, sobre a ascenção das economias de nicho. Este livro fez um barulho considerável nos últimos anos e praticamente todos os planos de negócio envolvendo web 2.0 citavam (ou se baseavam) nos conceitos do gráfico crescente de Anderson. Hoje, o conceito da Cauda Longa está mais do que disseminado no mercado. E creio que o mesmo acontecerá com o lançamento do ‘Free’: tendências serão ditadas de novo.

Tá bom, tendência é meio forçado, porque essa coisa da gratuidade já acontece há muito tempo. Mas como modelo de negócio ainda é pouco difundido. Creio que isso vai mudar depois do lançamento do livro de Chris Anderson, e será mais ou menos o efeito que A Cauda Longa teve: o conceito saiu da discussão casual para chegar aos modelos mais sólidos de negócio, e com alcance mais amplo.

Gosto desse conceito da gratuidade, mas é importante lembrar que nada nessa vida de graça (não, sem analogias e ditados populares). Tudo que é oferecido para você tem um custo. Quem paga por isso é que está por trás dos interesses. Produtos, serviços online, brindes, pacotes de viagem… existe um custo, mesmo que não financeiro por trás desses ‘mimos’ que ganhamos. Isso é antigo, o mercado de brindes já age assim. Agora a coisa se expande para produtos e serviços mais importantes e de maior valor monetários. Em 2008, acho que essa economia da gratuidade vai passar por uma transição de modelo de negócio restrito a uma pequena parcela do mercado a um modelo econômico mais sólido, sustentável (uma das maiores discussões sobre a gratuidade é como ela se auto-sustenta) e atrativo. Anderson vai dar as pistas no seu livro, com certeza.

Por isso, acho que esse novo modelo econômico tem tudo pra bombar em 2008 e finalizar essa transição. Bem mais do que em 2007.



Duelo de guitarras

8 Jan 2008 Sobre games

Taí uma foto bacana, tirada durante a abertura da CES 2008, em Las Vegas, durante discurso de Bill “Microsoft” Gates.

Slash e Bill Gates

Ao lado dele, Slash, ex-guitarrista do Guns n’ Roses, numa disputa de Guitar Hero.



1968, 40 anos depois

7 Jan 2008 Sobre cultura, música, sociedade

Passeata dos 100 mil, em 1968

Tá rolando um baita burburinho nos meios de comunicação sobre 1968. Claro, em 2008 comemoram-se 40 anos daquela época que mudou pra sempre o conformismo e a capacidade de revolução do homem. E não, isto não é um manifesto esquerdista.

Tenho uma simpatia pelo ano de 68. Não vivi aquela época, mas todo jornalista carrega um pouco de ranço pela perseguição empregada à mídia que aprendemos na faculdade. Tanto é que meu TCC herdou bastante disso, mas conseguimos chegar até lá mais imparciais. Já fui mais esquerdista, hoje sou algo meio indefinido, perto do centro.

Por ter pesquisado a fundo 68 e os Anos de Chumbo, ainda acompanho o tema de perto. Nesta semana li a matéria da Revista Época e estou devorando o livro sobre Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, a contribuição mais importante e sintetizada dos Beatles para a música pop. E desse livro tiro uma citação do prefácio, muito bacana, que traz uma reflexão sobre esse saudosismo todo dos anos 60:

Em seu livro Revolution in the Head, o jornalista Ian MacDonald afirma sem rodeios: “Qualquer um que não tenha tido a sorte de ter entre 14 e 30 anos em 1966-67 jamais conhecerá a comoção vivida durante esses anos na cultura popular”. Como alguém que viveu essa mesma “comoção” mencionada por ele no auge do punk, considero a visão de MacDonald das mais arrogantes, pra não dizer egoísta (”Eu estava lá e você não estava… na na na na na-na…”). “Comoção” é algo muito subjetivo, e a nostalgia pela juventude seja a dos tempos hippies de MacDonald ou a das noites bêbadas de Legs Mcneil no Bowery, não nos diz nada sobre o ambiente, a não se que eles se divertiram. A criatividade que saiu em disparada quando a jaula do decoro se abriu é o que me interessa aqui (ali e em todo lugar). Socioólogos, saiam pela porta onde se lê a placa “Cães Ferozes”.

Partindo desta citação, pensei comigo mesmo o quanto ainda estamos endeusando esta época e esquecendo de responder perguntas básicas sobre ela: qual sua real dimensão sobre a cultura? O quanto ela influenciou a política e a sociedade? Qualquer reposta será um chute próximo, mas não certeiro. Pra cada um os anos 60 tem uma importância diferente. Se para nós, jornalistas, o período foi de união e inteligência contra a censura, para outros foi a chance de pegar em armas por um motivo qualquer, de ambos os lados.

Culturalmente, estamos nos aproximando de um entendimento mais sólido sobre 1968. Socialmente, ainda apanhamos por carregar ranços das brigas ideológicas que não nos deixam refletir sabiamente e deixar um registro digno para as gerações futuras. Tive essa noção desde a época do meu TCC, mas não consegui ampliar essa visão o quanto queria no resultado final. Tinha até a ambição de continuar um estudo futuro sobre isso, mas no momento não me vem a vontade.

Uma coisa eu sei: 1968 (e 67, também, vá lá) foi o decreto final para que a humanidade finalmente contestasse mais e aceitasse menos. Se hoje temos uma democracia nova, engatinhando se comparada aos 100 anos de república dos EUA, é porque houve um manifesto contra o que estava estabelecido.

A principal lição que fica: não gostou, reclame.



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