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	<title>Entendendo o Mundo &#187; 1968</title>
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	<description>Blog de Anderson Costa</description>
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		<title>1968, 40 anos depois</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Jan 2008 23:47:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anderson</dc:creator>
				<category><![CDATA[cultura]]></category>
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		<description><![CDATA[Tá rolando um baita burburinho nos meios de comunicação sobre 1968. Claro, em 2008 comemoram-se 40 anos daquela época que mudou pra sempre o conformismo e a capacidade de revolução do homem. E não, isto não é um manifesto esquerdista. Tenho uma simpatia pelo ano de 68. Não vivi aquela época, mas todo jornalista carrega [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.andersoncosta.org/blog/wp-content/uploads/2008/01/ditadura_passeata.jpg" alt="Passeata dos 100 mil, em 1968" /></p>
<p>Tá rolando um baita burburinho nos meios de comunicação sobre 1968. Claro, em 2008 comemoram-se 40 anos daquela época que mudou pra sempre o conformismo e a capacidade de revolução do homem. E não, isto não é um manifesto esquerdista.</p>
<p>Tenho uma simpatia pelo ano de 68. Não vivi aquela época, mas todo jornalista carrega um pouco de ranço pela perseguição empregada à mídia que aprendemos na faculdade. Tanto é que<a href="http://www.lembrareresistir.kit.net" title="Lembrar é Resistir" target="_blank"> meu TCC</a> herdou bastante disso, mas conseguimos chegar até lá mais imparciais. Já fui mais esquerdista, hoje sou algo meio indefinido, perto do centro.</p>
<p>Por ter pesquisado a fundo 68 e os <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Anos_de_chumbo" title="Consulte na Wikipedia" target="_blank">Anos de Chumbo</a>, ainda acompanho o tema de perto. Nesta semana li <a href="http://revistaepoca.globo.com/EditoraGlobo/Artigo/exibir.ssp?artigoId=80894&amp;secaoId=5990&amp;edicao=503" title="1968: o ano das transformações" target="_blank">a matéria da Revista Época</a> e estou devorando <a href="http://compare.buscape.com.br/sgt-pepper-s-lonely-hearts-band-heylin-clinton-9788576162728.html?pos=1" title="Pesquise preços no BuscaPé" target="_blank">o livro sobre Sgt. Pepper&#8217;s Lonely Hearts Club Band</a>, a contribuição mais importante e sintetizada dos Beatles para a música pop. E desse livro tiro uma citação do prefácio, muito bacana, que traz uma reflexão sobre esse saudosismo todo dos anos 60:</p>
<blockquote><p>Em seu livro Revolution in the Head, o jornalista Ian MacDonald afirma sem rodeios: &#8220;Qualquer um que não tenha tido a sorte de ter entre 14 e 30 anos em 1966-67 jamais conhecerá a comoção vivida durante esses anos na cultura popular&#8221;. Como alguém que viveu essa mesma &#8220;comoção&#8221; mencionada por ele no auge do punk, considero a visão de MacDonald das mais arrogantes, pra não dizer egoísta (&#8220;Eu estava lá e você não estava&#8230; na na na na na-na&#8230;&#8221;). &#8220;Comoção&#8221; é algo muito subjetivo, e a nostalgia pela juventude seja a dos tempos hippies de MacDonald ou a das noites bêbadas de Legs Mcneil no Bowery, não nos diz nada sobre o ambiente, a não se que <em>eles</em> se divertiram. A criatividade que saiu em disparada quando a jaula do decoro se abriu é o que me interessa aqui (ali e em todo lugar). Socioólogos, saiam pela porta onde se lê a placa &#8220;Cães Ferozes&#8221;.</p></blockquote>
<p>Partindo desta citação, pensei comigo mesmo o quanto ainda estamos endeusando esta época e esquecendo de responder perguntas básicas sobre ela: qual sua real dimensão sobre a cultura? O quanto ela influenciou a política e a sociedade? Qualquer reposta será um chute próximo, mas não certeiro. Pra cada um os anos 60 tem uma importância diferente. Se para nós, jornalistas, o período foi de união e inteligência contra a censura, para outros foi a chance de pegar em armas por um motivo qualquer,  de ambos os lados.</p>
<p>Culturalmente, estamos nos aproximando de um entendimento mais sólido sobre 1968. Socialmente, ainda apanhamos por carregar ranços das brigas ideológicas que não nos deixam refletir sabiamente e deixar um registro digno para as gerações futuras. Tive essa noção desde a época do meu TCC, mas não consegui ampliar essa visão o quanto queria no resultado final. Tinha até a ambição de continuar um estudo futuro sobre isso, mas no momento não me vem a vontade.</p>
<p>Uma coisa eu sei: 1968 (e 67, também, vá lá) foi o decreto final para que a humanidade finalmente contestasse mais e aceitasse menos. Se hoje temos uma democracia nova, engatinhando se comparada aos 100 anos de república dos EUA, é porque houve um manifesto contra o que estava estabelecido.</p>
<p>A principal lição que fica: não gostou, reclame.</p>
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