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	<title>Entendendo o Mundo &#187; ditadura</title>
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	<description>Blog de Anderson Costa</description>
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		<title>A despedida do velho coronel e sua pistola</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Jan 2010 11:44:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anderson</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Essa é a única foto decente que tenho do coronel Erasmo Dias. É da época que fizemos um documentário de rádio para o nosso TCC, em 2003. Me lembro como se fosse hoje. Nós, já com algum histórico sobre ditadura militar na cabeça, fomos entrevistar o homem para nosso programa. Jamais pensei que ele fosse [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; margin-left: 0px; border-top: 0px; margin-right: 0px; border-right: 0px" title="image" border="0" alt="image" align="left" src="http://www.andersoncosta.org/blog/wp-content/uploads/2010/01/image.png" width="154" height="101" /> </p>
<p>Essa é a única foto decente que tenho do coronel Erasmo Dias. É da época que fizemos um <a href="http://www.lembrareresistir.kit.net/" target="_blank">documentário de rádio</a> para o nosso TCC, em 2003. Me lembro como se fosse hoje. Nós, já com algum histórico sobre ditadura militar na cabeça, fomos entrevistar o homem para nosso programa. Jamais pensei que ele fosse aceitar. O pessoal do meu grupo me chamou de louco, mas quando eu confirmei a data e o horário todos ficaram loucos. Pena que não deu pra ir todo mundo… mas pensando bem, foi melhor assim.</p>
<p>Entrevistamos o então vereador Erasmo Dias em seu gabinete na Câmara Municipal de São Paulo. Ao lado dele sua secretária na máquina de escrever redigindo algumas cartas a jornais e um capanga que ia fazer os jogos de loteria dele todo dia. Era uma mania dele fazer a fezinha toda santa manhã.</p>
<p>Não podemos dizer que fomos mal tratados. Ele não se negou a responder as perguntas, mas as respostas foram meio evasivas em alguns momentos. A inexperiência de um foca agora me arrepende, pois a gravação do áudio não ficou uma maravilha. O gravador (um daqueles de fita cassete, portátil) ficou em cima da mesa dele. Só que durante a entrevista ele batia muito com a mão na mesa para enfatizar o que dizia. Bem como a foto mostra.</p>
<p>Um dos momentos mais “perigosos” da entrevista, creio eu, foi quando ele contou uma história de protesto quando ele era deputado estadual na década de 80. Alguns estudantes vieram à porta de seu gabinete com flores e um mini caixão, para fazer um “enterro simbólico” de sua pessoa. Ele os deixou entrar. Ouviu o que cada um tinha a dizer. Então sacou uma arma, descarregou-a e deu uma bala para cada um deles. E esbravejou: “Isso aqui é para vocês chuparem, pois nem a morte por uma bala dessas é algo digno para vocês”. E tocou eles para fora do gabinete. Só que ele contou isso tudo do jeito mais real possível: puxando a arma na nossa frente. De verdade. Pensei que era minha última entrevista. </p>
<p>Só não deu uma bala pra cada um. Eu teria guardado isso comigo.</p>
<p>Outro momento muito denso da entrevista foi o depoimento do coronel sobre seu mais fiel soldado, Sérgio Paranhos Fleury. “Meu mais fiel escudeiro. Exemplar, um grande homem”. Nessa hora a sala ao meu redor perdeu o som da rua e tudo ficou num tom cinza. Eu tinha vontade de retrucar e dizer que aquilo era um absurdo, pois Fleury foi um dos policiais mais linha dura do regime. Mas outro aprendizado: ouvir. Ficar quieto e deixar o homem dar sua versão dos fatos. Mesmo que você não concorde. Isso enriqueceu muito a mim, meus colegas e a nosso TCC.</p>
<p>Saímos daquele gabinete tremendo da cabeça aos pés. Mas com muita história pra contar no documentário.</p>
<p>Conversar com o coronel responsável pela invasão da PUC nos anos 70 e por muitas outras coisas cruéis na época da ditatura militar mudou minha visão sobre certo e errado daquela época. Ainda acho muito errado a morte como instrumento de regência de um poder, seja qual for. Mas naquele dia eu vi nos olhos do coronel o quanto ele achava que estava certo. Cada um tem sua própria certeza no mundo. E o coronel tinha a certeza de que, pela vida inteira, lutava pela justiça. Pode até ser algo cego. Mas é a razão de vida de uma pessoa. Com isso a gente não brinca. Discute.</p>
<p>Hoje, 5 de janeiro de 2010, o coronel se foi. Deve ter levado sua pistola para bradar seu senso de justiça no céu. Ou onde quer que esteja.</p>
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		<title>Meus 2 cents sobre o Caso Isabella</title>
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		<pubDate>Mon, 26 May 2008 02:57:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anderson</dc:creator>
				<category><![CDATA[cidadania]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
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		<description><![CDATA[Faz tempo que não escrevo. Eu sei, vergonha alheia. O trabalho novo é muuuito mais corrido do que eu pensava. Mas sabe o que é pior? Eu tô gostando! Fiquei um tanto apático com o caso Isabella. Creio que a divulgação excessiva da mídia tirou o senso de justiça do assunto e o transformou em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Faz tempo que não escrevo. Eu sei, vergonha alheia. O trabalho novo é muuuito mais corrido do que eu pensava. Mas sabe o que é pior? Eu tô gostando!</p>
<p>Fiquei um tanto apático com o caso Isabella. Creio que a divulgação excessiva da mídia tirou o senso de justiça do assunto e o transformou em senso de justiceiro. Claro que é um crime gravíssimo, como há tempo não víamos&#8230; na TV, pois nas comunidades carentes e de baixa renda a mortalidade continua alta, com casos cada vez mais alarmantes.</p>
<p>Poizé:  pra mim o caso só ganhou a exposição que teve por que a pequena Isabella é uma menina de classe média,  bonita, bem tratada. E isso não foi um julgamento do público, mas sim da mídia, que desceu lenha abaixo a questão querendo o sangue dos pais, até agora únicos suspeitos do crime e já detidos.</p>
<p>Isso reforça uma teoria que eu tenho: não mexa com a classe média. Toda vez que alguém tentou isso aqui no Brasil se ferrou muito. Vejam o caso da ditadura dos anos 60/70. Na minha opinião, a coisa só ganhou apoio da opinião pública quando os corpos dos filhos dos senhores de classe média começaram a sumir nos necrotérios.</p>
<p>Polêmico, eu sei. Também fiquei meio assim pra continuar o texto&#8230;</p>
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		<title>1968, 40 anos depois</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Jan 2008 23:47:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anderson</dc:creator>
				<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[1968]]></category>
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		<category><![CDATA[livro]]></category>
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		<description><![CDATA[Tá rolando um baita burburinho nos meios de comunicação sobre 1968. Claro, em 2008 comemoram-se 40 anos daquela época que mudou pra sempre o conformismo e a capacidade de revolução do homem. E não, isto não é um manifesto esquerdista. Tenho uma simpatia pelo ano de 68. Não vivi aquela época, mas todo jornalista carrega [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.andersoncosta.org/blog/wp-content/uploads/2008/01/ditadura_passeata.jpg" alt="Passeata dos 100 mil, em 1968" /></p>
<p>Tá rolando um baita burburinho nos meios de comunicação sobre 1968. Claro, em 2008 comemoram-se 40 anos daquela época que mudou pra sempre o conformismo e a capacidade de revolução do homem. E não, isto não é um manifesto esquerdista.</p>
<p>Tenho uma simpatia pelo ano de 68. Não vivi aquela época, mas todo jornalista carrega um pouco de ranço pela perseguição empregada à mídia que aprendemos na faculdade. Tanto é que<a href="http://www.lembrareresistir.kit.net" title="Lembrar é Resistir" target="_blank"> meu TCC</a> herdou bastante disso, mas conseguimos chegar até lá mais imparciais. Já fui mais esquerdista, hoje sou algo meio indefinido, perto do centro.</p>
<p>Por ter pesquisado a fundo 68 e os <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Anos_de_chumbo" title="Consulte na Wikipedia" target="_blank">Anos de Chumbo</a>, ainda acompanho o tema de perto. Nesta semana li <a href="http://revistaepoca.globo.com/EditoraGlobo/Artigo/exibir.ssp?artigoId=80894&amp;secaoId=5990&amp;edicao=503" title="1968: o ano das transformações" target="_blank">a matéria da Revista Época</a> e estou devorando <a href="http://compare.buscape.com.br/sgt-pepper-s-lonely-hearts-band-heylin-clinton-9788576162728.html?pos=1" title="Pesquise preços no BuscaPé" target="_blank">o livro sobre Sgt. Pepper&#8217;s Lonely Hearts Club Band</a>, a contribuição mais importante e sintetizada dos Beatles para a música pop. E desse livro tiro uma citação do prefácio, muito bacana, que traz uma reflexão sobre esse saudosismo todo dos anos 60:</p>
<blockquote><p>Em seu livro Revolution in the Head, o jornalista Ian MacDonald afirma sem rodeios: &#8220;Qualquer um que não tenha tido a sorte de ter entre 14 e 30 anos em 1966-67 jamais conhecerá a comoção vivida durante esses anos na cultura popular&#8221;. Como alguém que viveu essa mesma &#8220;comoção&#8221; mencionada por ele no auge do punk, considero a visão de MacDonald das mais arrogantes, pra não dizer egoísta (&#8220;Eu estava lá e você não estava&#8230; na na na na na-na&#8230;&#8221;). &#8220;Comoção&#8221; é algo muito subjetivo, e a nostalgia pela juventude seja a dos tempos hippies de MacDonald ou a das noites bêbadas de Legs Mcneil no Bowery, não nos diz nada sobre o ambiente, a não se que <em>eles</em> se divertiram. A criatividade que saiu em disparada quando a jaula do decoro se abriu é o que me interessa aqui (ali e em todo lugar). Socioólogos, saiam pela porta onde se lê a placa &#8220;Cães Ferozes&#8221;.</p></blockquote>
<p>Partindo desta citação, pensei comigo mesmo o quanto ainda estamos endeusando esta época e esquecendo de responder perguntas básicas sobre ela: qual sua real dimensão sobre a cultura? O quanto ela influenciou a política e a sociedade? Qualquer reposta será um chute próximo, mas não certeiro. Pra cada um os anos 60 tem uma importância diferente. Se para nós, jornalistas, o período foi de união e inteligência contra a censura, para outros foi a chance de pegar em armas por um motivo qualquer,  de ambos os lados.</p>
<p>Culturalmente, estamos nos aproximando de um entendimento mais sólido sobre 1968. Socialmente, ainda apanhamos por carregar ranços das brigas ideológicas que não nos deixam refletir sabiamente e deixar um registro digno para as gerações futuras. Tive essa noção desde a época do meu TCC, mas não consegui ampliar essa visão o quanto queria no resultado final. Tinha até a ambição de continuar um estudo futuro sobre isso, mas no momento não me vem a vontade.</p>
<p>Uma coisa eu sei: 1968 (e 67, também, vá lá) foi o decreto final para que a humanidade finalmente contestasse mais e aceitasse menos. Se hoje temos uma democracia nova, engatinhando se comparada aos 100 anos de república dos EUA, é porque houve um manifesto contra o que estava estabelecido.</p>
<p>A principal lição que fica: não gostou, reclame.</p>
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