Mano Brown no Roda Viva: é diferente
27 September, 07 por anderson
Na segunda, acompanhei a entrevista de Mano Brown no programa Roda Viva.
Vi do começo ao fim. Pra mim Brown sempre foi uma figura muito interessante. Ainda mais porque moro perto da periferia, e parte da turma dele vive em bairros próximos. Fiz trabalhos na faculdade examinando a influência do rap, isso lá em 1998. E não é exagero dizer que o rap me ajudou a conhecer melhor a black music. Foi um belo catalisador.
Então… sobre a entrevista. Tava coçando a mão pra falar algo.
Li repercussão do debate: na Folha Online, no Estadão e no G1, no UOL Música… mas a que mais me assustou foi a repercussão do Reinaldo Azevedo. Reduzir as palavras de Brown à apologia a isso ou aquilo, é simplificar demais a questão.
Eu vivo bem próximo à periferia. Sei que lá reina praticamente uma legislação à parte do país. Brown é um messias, sim, mas para o SEU povo, a periferia. A classe média e alta (caso do Reinaldo) não vai entender nem conseguir medir as palavras de quem fala pensando em seu povo. Mesmo que ele inclua traficantes, ladrões e mendigos no meio. E depois ainda quer comparar Spike Lee a Mano Brown.
É diferente. Analisar a periferia encaixando ela dentro do espectro das outras realidades sociais é maluquice. É preciso ser de lá, ou conviver, para entender o que Mano Brown diz. Como disseram no Pensaletes: não se pode ter raiva de uma pessoa só pelo que ela acredita.
Gosto dos textos do Reinaldo, mas sua análise dessa vez foi bem pífia. Tirando o caso dos entrevistados, ponto no qual eu concordo. A bancada escolhida não foi lá essas coisas, podiam ser bem mais questionadores.
E no Tuíter:


