Redes sociais são feitas por pessoas
25 October, 07 por andersonSe você, como eu, é proprietário de um celular Motorola V3i, sabe que são poucas as opções que o aparelho dá para sincronização de agenda, contatos e outras opções. Antes de sofrer calado, saiba que a internet pode ser uma grande aliada nessas horas. No Orkut, por exemplo, existe uma comunidade criada por donos do V3i que é um mega tutorial de como achar as coisas que você precisa: jogos, softwares alternativos, papéis de parede, temas, dicas para hackear e desbloquear o aparelho…
Mas o foco dessa conversa não é o celular, e sim a comunidade. Me espantou a organização da coisa, que é moderada todos os dias, organiza os tópicos por interesse mais corriqueiro (como um índice) e impede que pessoas criem tópicos repetidos, direcionando-as para a questão que já foi respondida. Dá um trabalho danado moderar uma comunidade deste tamanho, ainda mais com as ferramentas à disposição: o Orkut permite criar apenas a página da comunidade, com descrição, fórum e comunidades relacionadas. Mais nada.
Isso não é impedimento para criar uma comunidade virtual. Nos famosos fóruns e na antiga IRC, comunidades inteiras se articulavam em ferramentas que só suportavam texto puro. O que nos leva a crer que a experiência que se tem com redes sociais hoje é muito mais rica do que há alguns anos atrás. Vide o Facebook e o Multiply, por exemplo. Mas porque essas redes perderam do Orkut no Brasil, mesmo com todas as deficiências da ferramenta do Google?
Parece óbvio o que eu vou falar, mas nem tanto: redes sociais são feitas por pessoas. Não importa a ferramenta que você use, e sim a comunidade que se junta ao redor dela.
Eu não considero todo o Orkut uma rede social. Eu parto do princípio que esses sites são ferramentas que possibilitam a criação e manutenção de uma rede comum de pessoas. Acho as comunidades do Orkut mais qualificadas para receber o label ‘rede social’ do que o próprio Orkut, que superlotado, não proporciona uma experiência social adequada neste nível. Pelo menos no que tange a nichos de interesse.
No Brasil, o principal fator para que o Orkut fizesse sucesso foi possibilitar o reencontro de contatos há muito tempo perdidos. Você ia lá, procurava pelo nome do velho amigo ou da comunidade do colégio do seu bairro e voilá! Contatos retomados. E aí pronto. O Orkut já tinha capturado as pessoas, que ficavam navegando entre perfis e comunidades e descobrindo interesses comuns. E para muitos o Orkut foi o primeiro contato com internet e redes sociais. A maioria pensa que está ‘um site de relacionamento’, como a mídia brasileira pobremente definiu. É uma forma de definir, mas não a melhor.
A atuação do Orkut no Brasil foi importante para que as redes sociais voltassem novamente ao mainstream e saíssem das rodinhas de tecnólogos, geeks e grupos específicos em fóruns e listas de discussão. Por mais que nichos como esses justifiquem uma rede social para reuni-los, é preciso dar a oportunidade para outros interesses menos específicos, porém mais agregadores: os donos de celular V3i, por exemplo. E também dar a eles uma experiência mais rica. Aí entra a Web 2.0.
Por exemplo: fico impressionado com o poder do Facebook. Mas aqui no Brasil nem todo mundo está cadastrado no site. E olha que Mark Zuckerberg (o dono do site) está investindo pesado em ferramental. Aliás, o diferencial do Facebook é esse: em vez de investir na construção de novas conexões, ele as mapeia. Zuckerberg investe em ferramentas que dêem ao usuário um mapa nítido dos serviços sociais na web. Não sei se você já viu, mas como o API do Facebook é aberto, não faltam aplicações para adicionar na sua página de perfil: músicas mais ouvidas na Last.fm, filmes preferidos no Flixster, e até uma visualização do perfil do Orkut! Em matéria na revista Wired, Zuckerberg detalha melhor o que pretende. Outra ferramenta bem bacana é o Ning, que permite que você crie sua própria rede social, com várias funcionalidades. É como ter seu próprio Orkut. O que pode ser melhor?
Eu, como usuário avançado de internet, não escolheria ferramentas tão limitadas dadas as opções no mercado hoje. Mas eu sou exceção à regra. Para quem quer se organizar em volta de um bem comum, nem sempre a ferramenta é um diferencial. A sobrevivência do Orkut pós-hype e a prolongação dos fóruns prova isso. Basta uma decisão entre uma ferramenta popular e pronto: funcionalidades legais como os apps do Facebook os os agregadores de conteúdo do Via6 ficam de fora.
Mas isso é bom. O importante é que pessoas se organizem e aproveitem a força da engenharia social para seus interesses. Seja por Orkut, Facebook, blogosferas, fóruns, listas de discussão… A própria rotina de sociabilziação vai pedir (ou não) outras necessidades para a comunidade.
O importante é perceber que a força motriz são as pessoas. Se elas não participarem, contribuirem e fizerem do espaço uma troca legal de informações, as redes sociais estão destinadas a uma vida infeliz como selo do perfil de alguém.
Vocês também pensam assim, ou eu viajei?
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