Acabou a temporada de F-1, graças a dios. Uma temporada manchada dessas tem mais é que ir pro arquivo logo.
Eu estava lá com a patroa em Interlagos no sábado e domingo. A primeira vez a gente nunca esquece. Até ensaiamos uma cobertura via Twitter.
Como é louco o mundo dos torcedores de corrida. Não difere tanto dos torcedores de futebol, sabe? Só muda a classe social, porque o comportamento e as atitudes são as mesmas. Pro bem ou pro mal.
Bom, comecemos com a odisséia de sábado. Ficamos no setor G. A idéia era chegar cedo para pegar bons lugares na reta oposta, nos 50 metros. Não conseguimos mesmo chegando às 6h, então ficamos nos 100m, o que já tava de bom tamanho. O setor dos 50m é quase exclusivo da torcida Pisa Fundo, tradicionalíssima, que chega muuuuito cedo (trailers armados na fila desde a madrugada, só pra ter uma idéia). Ela é só uma das torcidas que se organizam de todos os cantos do país para o GP.
Aí o sol chegou, e com os dois pés no peito. Ou melhor, na cabeça. Quase 35 graus até as 14h, horário do treino classificatório. Foi difícil aguentar. E pra piorar a situação, os quiosques de bebidas (refri e cerveja a 5 pilas!) estavam entupidos de gente. Tive que brigar pra conseguir 3 garrafas de água. E só tinha Schin! Stress na medida do calor.
A vista é realmente privilegiada. Não tem telão, mas nem precisa. Dá pra ver quase todo o circuito. Nas arquibancadas é transmitida a programação da Rádio Bandeirantes. Nunca tinha ouvido a F-1 pelo rádio, mas gostei bastante. Mas tem que levar um radinho, porque depois que os carros saem pra pista, o barulho abafa qualquer som. É ensurdecedor. Protetores de ouvido são realmente necessários.
No domingo, resolvemos chegar mais tarde porque a Babi passou mal na volta. Aí descansamos melhor antes de ir. Então não pegamos lugares bons, acabamos ficando na grade mesmo. E enfrentando a fúria da arquibancada, que não queria de gente nenhum gente na grade atrapalhando a vista deles. Depois de muitas garrafadas na testa, achamos uma grade mais ‘pacífica’ e lá ficamos.
E a corrida foi boa. Raikkonen, a zebra de gelo, ganhou o GP e o campeonato. Foi melhor assim. Pelo menos não caiu nas mãos da McLaren, que roubou feio o campeonato este ano. Confesso que senti falta da narração do Galvão Bueno, a corrida fica menos divertida sem os excessos dele…
Pra voltar pegamos o trem. A nova estação Autódromo é bacana, acho que a única que eu conheço da CPTM que fala inglês… no domingo estava beeeem mais cheia, mas nada que atrapalhasse. Com a Ponte Orca funcionando no findi, em pouco tempo estávamos em casa. Engraçado foi os gringos admirando o Rio Pinheiros: ‘what a smell…’
Resumindo: adorei, muito legal ver de perto a corrida, mas setor G é uma foto à parte no glamour que a F-1 divulga. Aquilo lá eu duvido que chegue aos relatórios de qualidade. Fã sofre: é muito caro (350 reais o ingresso mais barato, setor G) pra tanto sacrifício, lá dentro tudo também é caro, e as pessoas se comportam como .
Se você tem amigo influente e conseguir uma vaga nos camarotes ou setores menos tumultuados, agradeça ao papai do céu. Porque setor G é só para os fortes de coração. E de alma. E de corpo. E de paciência. E de tudo mais.
Mais tarde, no Velocidade, o comentário da corrida.
Em tempo: vi fotos e artigo sobre o Barcamp Rio, e achei bacana. Pena não estar lá.